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  • Carla Costa

Elsa Lemos

Se pudesses escolher uma frase, um texto, uma música ou um poema para te definir qual seria?

“Just be yourself” é o que me ocorre de imediato. Ser com alma.

Qual foi o maior desafio que viveste até hoje?

Foi ter de superar a doença e a morte da minha mãe. A vida e a morte estavam ali, lado a lado.

Na mesma altura em que sei do pior prognóstico da doença da minha mãe, 3 meses de vida no máximo, fico grávida.

Decidi falar com o médico da minha mãe, Nuno Gil, uma pessoa super-humana. Foi a segunda pessoa a saber que estava grávida… foi um momento estranho, confesso. O seu conselho foi o de comunicar a minha gravidez enquanto a minha mãe ainda estava consciente. Fi-lo e esse momento é eterno na minha memória. Assim como outros, mais dolorosos, ao cuidar dela o melhor que soube e conseguia.

Depois, foi a sua morte e de ter de superar para não prejudicar a minha filha. Na prática, não fiz o luto. Mas consegui ter uma filha linda, sem qualquer depressão pós-parto, como alguns acreditavam que podia ser o desfecho.

E qual foi o momento mais feliz?

Esta é aquela resposta mais simples e maior: o nascimento dos meus filhos!

Decidiste seguir o caminho da comunicação de crises porque…

Porque me sentia pouco preenchida com o jornalismo. Sentia que era pouco. Ambicionava mais. Por isso, decidi deixar o jornalismo e criar o meu próprio negócio. Mas não foi logo imediato!

Primeiro, precisei de me conhecer melhor. Como sempre gostei do risco e de ambientes mais hostis, decidi conhecer outras realidades. A viagem que fiz à Bósnia foi um marco neste processo. Tive momentos de introspeção que nunca tinha tido. Quando viajas num autocarro podre, vês cemitérios improvisados e destruição da guerra, necessariamente, isso tem implicações internas. Ajuda a arrumar as ideias. Há quem faça retiros espirituais, pratique meditação, eu prefiro vivenciar este tipo de risco.

Depois, fiz uma análise do ambiente externo, nacional e internacional, e verifiquei que havia uma necessidade gigante e que prometia ser uma tendência. Falo da Comunicação de Crises. Em 2005 era uma loucura falar nisto. E abracei esta loucura com a maior dedicação até hoje.

De que forma é que a criação deste projeto transformou a tua vida?

Transformou tanto! Transformou-me como pessoa e como profissional.

Eu sou a marca e a marca é o meu negócio. Uma não vive sem a outra. Parece que tudo estava aqui dentro (e estava), mas eu tinha de descobrir esse potencial.

Quando olho para a minha lista de valores pessoais e de valores profissionais estão tão alinhados… é surpreendente.

Depois, foi toda a construção e suporte. Estudar, recolher informação rigorosa e validada. Mas criar uma marca credível era a prioridade. Eu acredito (e constato isso) que coloquei a fasquia muito alta. Acredito piamente que precisamos de pensar em grande. Não tenho receio, nem vergonha, de admitir que gosto de pensar em grande. Por isso, às vezes brinco (a dizer a sério), que não me desafiem, porque eu vejo isso como a próxima conquista.

Hoje, estou a colher os frutos de um grande investimento pessoal e profissional. Tenho clientes que são fiéis e faço tudo por eles. Eles sabem que eu prezo a confidencialidade, o rigor e a inovação. Estou sempre a pensar em como posso dar mais… e sabe tão bem poder ajudar. Parece tudo muito fácil, mas há um trabalho enorme de alinhamento e de crescimento contínuo.

O que é que o teu trabalho acrescenta à vida dos teus clientes?

Eu tenho o propósito de criar e treinar para uma cultura de comunicação de crises em Portugal. Por isso, preparo os meus clientes para o pior dos cenários. Quando falo em pior é mesmo a pior das situações, aliás, as piores. Nunca é só um cenário. São todos os que possam envolver a imagem, a segurança e a sustentabilidade financeira das organizações e das pessoas. E deixei esta palavra propositadamente para o fim. Pessoas. Eu gosto de cuidar das pessoas. E trabalhá-las. Em situações de crise, são essas pessoas que são determinantes para gerir a situação, quer em termos comunicacionais, quer operacionais. E essas pessoas, tanto são as da base como as do topo da pirâmide.

Em suma, preparo responsáveis (CEO, diretores, porta-vozes...) das organizações para comunicarem, interna e externamente, em situações de crise. É nas piores situações que as pessoas pretendem o melhor de nós e das organizações. Cabe-me a mim pensar, alinhar e treinar essa nobre tarefa. É desafiante!

Um conselho para quem quer iniciar um projeto.

Autorreflexão. Entendam qual é o vosso propósito, listem o que gostam, o que são mesmo bons a fazer, o que o mundo precisa e como podem ser pagos a fazê-lo.

Analisem as tendências. Vejam as vossas hard e soft skills e se estas estão alinhadas com o que o futuro trará. Reflitam como isto se pode cruzar com a vossa marca.

Persistência. Nem sempre o resultado é imediato. Ter um projeto ou uma marca dá muito trabalho. São muitas horas, dias, meses e anos de dedicação.

Não tenham medo de errar. E de corrigir. Tentem várias vezes.

Combinem coisas estranhas. Sejam ousados. O resultado é incrível.

Qual é a tua principal fonte de inspiração?

A minha família em primeiro lugar, sempre.

Como descreves a experiência Share Inspiration @ the Table?

Momento de energia positiva e de partilha. Cria-se uma sintonia tão natural e genuína que, rapidamente, encontro pedaços dos outros que são iguais a mim.

Por outro lado, num mundo tão digital e online, eu sou adepta do offline. Nada melhor do que conseguir comunicar na sua plenitude, face to face, cara a cara.

Já estou com saudades de ouvir histórias deliciosas. Há até uma certa nostalgia. É estranho, não é, como um encontro produz tantos sentimentos...

Let´s share inspiration porque…

Precisamos uns dos outros.


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